Almoço com o presidente: o que vi e ouvi
Na última segunda-feira, 27 de abril, nos bastidores da semana, um movimento curioso: à mesa, longe do plenário, o presidente Max Russi apostou na proximidade.
Sentar à mesa, às vezes, revela mais do que discursos em plenário. Foi nesse cenário, entre talheres, cumprimentos e conversas que cruzavam a formalidade e a espontaneidade, que observei de perto sua condução à frente da Assembleia.
Desta vez, o ambiente fugia do roteiro tradicional. Nada de púlpito, nada de formalidades rígidas. O encontro aconteceu em torno de uma feijoada, dessas que carregam mais do que sabor, carregam pausa, conversa e um certo convite à informalidade. Entre um prato e outro, jornalistas e convidados faziam perguntas mais leves, quase como quem testa o terreno antes de avançar.

E talvez esteja aí a intenção mais interessante do encontro. Criar um espaço onde a comunicação não intimide. Onde o diálogo aconteça sem a tensão habitual. Uma tentativa clara de aproximar, de tornar o presidente mais acessível e, ao mesmo tempo, mais compreendido.
Chama atenção também um traço mais discreto da sua personalidade. Nota-se uma certa timidez em Max Russi, quase como quem prefere observar antes de ocupar o centro. Mas esse aparente recuo não enfraquece sua presença. Pelo contrário. Sua habilidade política se revela com naturalidade, como algo que não foi ensaiado, mas construído ao longo do tempo. Há ali um perfil voltado ao diálogo, à construção de alianças e a projetos que buscam permanência, não apenas impacto imediato.

Ao lado dele, o Henrique (coronel Henrique) também cumpre um papel silencioso, mas estratégico. A condução da comunicação parece seguir a mesma linha do encontro: menos rigidez, mais fluidez. Menos barreira, mais acesso.
Mas há um ponto que não pode ser ignorado. A leveza do ambiente facilita, claro. Perguntas descontraídas, clima amistoso, tudo contribui. O desafio real começa quando o tom muda, quando as perguntas deixam de ser confortáveis. É nesse momento que a construção de imagem e a habilidade política são, de fato, testadas.
O encontro também teve um simbolismo claro. Mais do que agenda institucional, foi uma confraternização pelo Dia do Jornalista, uma pausa necessária em meio à rotina acelerada da política. Em meio às conversas, foi reforçado que o prêmio de jornalismo organizado pela Assembleia este ano virá com novidades. A expectativa gira em torno de mudanças no formato e, principalmente, na valorização dos profissionais, com aumento no valor das premiações.

O que vi foi um presidente disposto a se mostrar mais próximo. O que ouvi foram tentativas de diálogo que fogem do padrão engessado. Agora, o que resta observar é se essa abertura se sustenta fora da mesa, longe da feijoada e mais perto das pressões do dia a dia político.
Porque, no fim, a política também se revela assim: não apenas no que se diz em ambientes favoráveis, mas no que se sustenta quando o cenário deixa de ser confortável.
Texto: Ghoncalo Rodrigo
CEO Portal Enjoy
