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ARTIGO: Contador do futuro

Sílvia Cavalcante*

A contabilidade atravessa uma mudança de época. Por muito tempo, nosso trabalho foi associado principalmente a rotinas de registro, apuração e cumprimento de obrigações. Essas funções continuam essenciais, mas já não bastam para responder ao ritmo das empresas, à complexidade regulatória e à pressão por decisões mais rápidas e sustentáveis.

Hoje, a pergunta central deixou de ser “como fechar números” e passou a ser “como transformar informações em escolhas melhores”.

A tecnologia acelerou essa virada. Automação, integrações em nuvem e análises de dados reduziram tarefas repetitivas e abriram espaço para uma atuação mais estratégica. A Inteligência Artificial, em especial, não é um enfeite do futuro: ela já está presente em conciliações, classificações, detecção de inconsistências e cruzamentos que antes consumiam horas em nossos escritórios.

Isso exige um reposicionamento do profissional contábil, que precisa ser menos operador de processos e mais curador de qualidade, intérprete de cenários e guardião de coerência.
Mas é justamente aí que mora o ponto sensível: quanto mais sofisticadas as ferramentas, maior a responsabilidade humana.

Modelos automatizados não carregam ética, contexto nem compromisso social; carregam probabilidades. E isso é muito frio. O contador precisa dominar tecnologia sem abdicar do julgamento técnico. Conferir, questionar, documentar, orientar e, sobretudo, dizer “não” quando a decisão fere a legislação ou compromete a integridade do negócio.

Inovação, para a nossa profissão, não pode significar atalhos; deve significar clareza, rastreabilidade e segurança.
Também não existe modernização sem enfrentar o emaranhado de normas e obrigações que impacta diariamente empresas e escritórios.

A adaptação constante ao ambiente regulatório demanda estudo contínuo e diálogo entre profissionais, entidades e setores produtivos. Quando a contabilidade é tratada apenas como custo, perde-se a chance de prevenir riscos, melhorar a governança e ampliar a transparência.

Quando é reconhecida como inteligência aplicada, ela fortalece a competitividade e contribui para um desenvolvimento econômico mais equilibrado.

É por isso que defendo uma contabilidade que una técnica e visão de futuro. Uma atuação que abrace dados e inovação, sem abrir mão do rigor, da ética e do compromisso com a sociedade. Para estimular esse caminho e ampliar a troca de experiências, o Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso (CRCMT) realizará em Cuiabá, no dia 27 de março, o Summit Contábil, nosso principal evento para debater sobre tecnologia, gestão, legislação e os desafios da profissão.

Contador, vamos construir juntos o futuro

*SILVIA CAVALCANTE é presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Mato Grosso (CRC-MT)

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